segunda-feira, 19 de julho de 2010

É por você...

É por você que eu idealizo um mundo, ou melhor, a nossa história.
É por você que eu finjo e fujo de tudo e de todos.
É por você que eu aguento toda essa arrogância do mundo.
É por você que eu exercito o pacifismo, a tolerância, a gentileza, para não ser grosseira com certas pessoas.
É sempre tudo pensando em você.
É sempre te vendo em meus sonhos que sofro.
É sempre por você que eu busco desesperadamente.
E é sempre por causa de você que eu chego ao nada.
Sem destino, sem rumo, pois sem você eu perdi minha base.
Cai no abismo e estou sem chão.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Todos nós usamos máscaras

Como dizia Fernando Pessoa “(...) Na vasta colônia do nosso ser, há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente”.
Hoje, um pouco mais experiente e ciente dos acontecimentos do mundo e da atual sociedade na qual vivo, pude observar que erramos gravemente ao tentar rotular as pessoas que nos cercam.
É decepcionante quando passamos a enxergar um pouco mais do que nossos olhos estavam acostumados a ver.
Ao longo da nossa vida, para cada situação que vivenciamos, nunca agimos da mesma forma. Assumimos diferentes papéis, interpretamos diversas personagens, e fazemos da nossa vida um teatro.
É por nossa natureza humana, que nos seres humanos usamos máscaras o tempo inteiro. E é também pela sociedade, que nos permiti e nos exige comportamentos diferentes.
Todos nós somos pessoas multifacetadas: ruins e boas, pacíficas e agressivas etc. Como os dois lados de uma mesma moeda, não existe somente um meio termo. Somos muitos em um só corpo. Somos semelhantes a corruptos, traficantes, adúlteros, ladrões, assassinos, psicopatas etc. Possuímos os mesmos defeitos, e mesmo que não os expressemos, estamos condicionados a ele. Como mencionara, certa vez, um velho índio ao descrever seus conflitos internos:

“Dentro de mim existem dois lobos, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom.
Os dois estão sempre brigando.”
E quando, então, lhe perguntaram qual dos lobos ganharia a briga,
o sábio índio parou, refletiu e respondeu:
“Aquele que eu alimento”

Portanto, por que não deixamos de lado as hipocrisias e tiramos as nossas máscaras?
Ao invés de nos precipitarmos com falsos julgamentos, podemos permitir que as próprias pessoas mostrem-nos quem elas realmente são. E por que também não alimentarmos o nosso lobo bom?
A não ser, é claro, que desejemos ser, eternamente, camaleões, sempre nos adaptando às futuras situações, ou seja, mascarando-nos.




“Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colônia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente”.

Fernando Pessoa – Livro do Desassossego